A revista Carta Capital publicou, em sua página oficial, o artigo de opinião A derrubada de Dilma, dez anos depois, assinado pela Prof. Cristina Buarque de Hollanda e pelo Prof. José Szwako. No texto, os docentes do IESP-UERJ remontam os antecedentes que levaram ao processo de impeachment da ex-presidenta do Brasil Dilma Roussef, em 2016, para resgatar as principais raízes políticas do evento.
Coube a Dilma, em dezembro de 2012, criar a Comissão Nacional da Verdade e, com ela, “um fosso monumental entre as Forças Armadas e a presidência da República”, como definiu o general Sérgio Etchegoyen em palestra no Instituto Fernando Henrique. Pela primeira vez, o Estado investigou crimes da ditadura e nomeou torturadores. Foi uma espécie de gota d’água na relação já frágil com um governo que, o General acusa, “afrontava valores e costumes que para nós militares são caríssimos”. Com uma “percepção clara” de que o país mergulhava numa crise de “probidade, integridade”, as Forças Armadas estariam determinadas a não “tolerar” o que tinham na conta de um “desvio de institucionalidade”. Por meio de seus clubes e suas lideranças mais vocais, os militares retornaram ao palco público sem o constrangimento que um dia tiveram para exaltar a ditadura como um tempo de virtudes. Silêncio e esquecimento eram coisa do passado. Quando Dilma se reelege, Etchegoyen lembra, “o desastre estava anunciado”. O arranjo civil-militar da Nova República já ruíra.

